MARCAS HISTÓRICAS DA GENEALOGIA DOS FREITAS COSTA

A Ilha de Itaparica em sua comunidade possuía como marca nas famílias, a presença de muitos membros em seu seio familiar e como fonte de sustento o trabalho manual. E nesse contexto encontrava-se a família de minha avó Joselita Rodrigues de Freitas Costa, nascida em 19 de maio de 1930, com atualmente 87 anos de idade, residente do bairro de Periperi/Salvador – Ba. 
Minha Avó Joselita R. de Freitas Costa
A família Costa é natural da Ilha de Itaparica, teve como patriarcas Hipólito Manuel de Freitas e Maria Júlia Rodrigues de Freitas, pais de quatorze filhos. Os mesmos moravam na rua Santo Antônio dos Navegantes em Ponta de Areia, numa casa bem pequena e simples. Sendo uma família humilde, sobreviviam através do trabalho de meu bisavô, que era alfaiate e pescador. Entretanto, apesar dos muitos esforços para se manter unidos, a dificuldade era extrema, resultando na separação entre pais e filhos.
Devido as dificuldades financeiras minha avó aos seis anos de idade foi retirada do seio familiar, pois naquela época aqueles que não conseguiam sustentar seus filhos, as crianças eram encaminhadas para residir em conventos. Morando no Convento de São Francisco, localizado no bairro Baixa de Sapateiro em Salvador, minha vó traz consigo tristes lembranças, pois teve sua infância reprimida. Já os outros filhos continuaram residindo juntamente com os meus bisavós.
Convento São Francisco

Passando sua infância e adolescência no convento, no qual morou até os seus dezesseis anos, minha vó Zelita assim chamada por todos os familiares, relatou que foram anos muitos difíceis devido à ausência da família, nos dez anos que residiu no convento nunca recebeu a visita da mãe ou irmãos. Além disso, foi marcada por uma notícia extremamente triste, o falecimento de seu pai, que ficou cego e posteriormente doente.
Devido ao falecimento do patriarca da família, minha bisavó mudou-se para Salvador, primeiramente morando no bairro de Plataforma, onde conheceu seu segundo marido, que era caxeiro do armazém São Braz, e posteriormente todos foram morar no bairro do Canta Galo. Com o segundo casamento, a família mudou-se novamente, desta vez para Pojuca, devido a ilusão de uma melhor oportunidade de emprego. Entretanto, este segundo casamento não era bem visto pelos filhos de dona Maria Júlia, pois haviam muitos conflitos entre o casal, devido ao ciúmes e alcoolismo do seu padrasto. Conta minha vó que nunca aceitou a figura paterna deste homem, já que o mesmo maltratava a sua mãe.
Ainda morando em Pojuca, minha avó conheceu aquele com que foi casada durante sessenta e quatro anos, meu falecido avó Romualdo Costa, mas conhecido como Dadá. Essa união gerou sete filhos, três meninos e quatro meninas, sendo que uma faleceu ainda criança.
O namoro entre meus avós foi interrompido em sua juventude, por conta de uma outra mudança de minha vó, pois a vida em Pojuca não havia progredido. Voltando para a capital da Bahia, minha avó e todos integrantes da família alugam uma casa melhor no bairro de Periperi (Subúrbio Ferroviário de Salvador), morando na rua chamada Cambuí.
Rua Cambuí/Periperi
Segundo dona Zelita, o bairro de Periperi era semelhante a uma fazenda, só mato e terra, não havia energia elétrica e água potável. A família vivia da aposentadoria do segundo marido de minha bisavó e de algumas plantações verduras e legumes, bem como na criação de galinhas e cabra que existiam no quintal de casa. A comida era feita a fogão de lenha e água era obtida através de uma fonte que era de uso dos poucos moradores da região.
Neste tempo os moradores também se alimentavam através da feira do Sábado, que ocorria apenas neste dia, onde feirantes do interior traziam as suas mercadorias, como carne por exemplo, para ser vendido a população. De acordo com minha avó o bairro de Periperi foi se modernizando devido a construção da avenida suburbana. A região passa a ganhar energia elétrica, água e asfalto.
Alguns anos morando na cidade de Salvador, meus avós se reencontram novamente, se casam, tem sete filhos e constituem sua própria família. De início, moraram em uma casinha alugada em frente a de minha bisavó. Na época meu avô trabalhava em um armazém do bairro e o sustento era bem difícil levando minha vó a costurar varando a noite, juntamente com sua filha mais nova, minha mãe Janai de Freitas Costa.
Minha avó e minha Mãe Janai de Freitas Costa
Segundo minha vó as coisas só começaram a melhorar depois que meu avô conseguiu o emprego na Petrobras, como ajudante de pedreiro e posteriormente supervisor no setor de ferramentas. A partir daí,os mesmos conseguiram comprar um terreno grande na rua Carlos Gomes (Periperi), na época as terras custavam 50 mil reis, construindo assim sua casa própria.
Rua Carlos Gomes/Periperi

O casamento entre meus avós durou 51 anos. Devido a uma doença desencadeada por uma artrose progressiva, meu avó Dadá ficou acamado e totalmente paralisado durante onze ano, até falecer aos setenta e sete  anos de idade. As lembranças que tenho dele, são das visitas em seu quarto, do colchão de casca de ovo e da cadeira de rodas na varanda de casa. Atualmente minha avó Joselita e todos os seus filhos continuam morando em Periperi.
Por fim, saliento com muita satisfação que através desta pesquisa da história da família, consigo perceber em meus tios e na minha progenitora (mãe) as raízes e marcas da tradição familiar, no que diz respeito a cultura da comunidade dos itaparicanos, herdada pelos meus bisavôs, aptidão pela pescaria e a costura. Buscar conhecer as raízes da história da minha família me traz um sentimento de realização, pois ao conhecer a fundo alguns aspectos que fazem parte parte da construção da minha identidade, percebi os laços da tradição e história que tem parcela daquilo que sou. Durante a pesquisa tive a oportunidade de ver e ouvir de minha avó tudo aquilo que a constitui como pessoa e como tais fatores reverberaram na vida dos meus parentes e da minha mãe, crendo que esse resgate histórico ficará marcado para as demais gerações.


VÍDEO: PERIPERI A CIDADE DO SUBÚRBIO
Neste vídeo pode-se conhecer alguns aspectos positivos e também que precisam de melhorias no que diz respeito ao bairro de Periperi/Salvador - Bahia



TÓPICOS DO ROTEIRO DE ENTREVISTA

  • Dados Pessoais: nome, idade, estado civil, bairro residencial.
  • Caracterizaçao da família: nome dos pais, quantos irmaos teve...
  • Caracterizaçao da cidade natal e casa: once nasceu, como era sua casa, quais as lembranças de Itaparica...
  • Lembranças da infancia, do convento e da adolescência
  • Motivos que a levaram a sair da ilha de Itaparica
  • Sua chegada em Pojuca
  • O seu casamento
  • Sua chegada em Periperi
  • Lembranças do bairro de Periperi




REFERÊNCIAS:

IMAGEM 1 - Acervo Pessoal
IMAGEM II: Google Imagens
IMAGEM III - Acervo Pessoal
IMAGEM IV - Acervo Pessoal
IMAGEM V - Acervo Pessoal

Comentários

  1. Parabéns pela lindíssima pesquisa Jana, muito bom restaurar nossas raízes, saber um pouco mais dá nossa história e deixar marcado esse registro para os futuros integrantes dá família!! Abraços!!

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  2. Emocionante a forma com você traz a sua história Jana, é muito bom quando temos oportunidade de conhecer as nossas origens e poder compartilhar.Parabéns!

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  3. Lindo trabalho! Que produção! Janara, você é muito talentosa fiquei fascinada ao ver seu blog. Parabéns!

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